segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SE ORGANIZE: 64ª Reunião da SBPC - Inscrição de trabalho até 02/04

REPRODUÇÃO:

Apresentação da Reunião Anual da SBPC:

A 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorrerá de 22 a 27 de julho de 2012, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís/MA, terá como tema central “Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza”. Trata-se de um dos maiores eventos científicos do País.

Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia (C&T) e representantes de sociedades científicas, a Reunião é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debates de políticas públicas em C&T.


A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados diversos eventos paralelos, como a SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C  (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).


A cada ano, a Reunião Anual da SBPC é realizada em um estado brasileiro diferente, sempre em uma universidade pública. O evento reúne milhares de pessoas, entre cientistas, professores e estudantes de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados. Em todas as edições, o público circulante tem sido superior a 10 mil pessoas (veja no quadro abaixo).



Ano
Nº da Reunião
Local
Nº de Inscritos (sênior)
Público circulante
(aproximado)
2000
52ª
Brasília
6.768
15.000
2001
53ª
Salvador
10.270
13.000
2002
54ª
Goiânia
6.027
11.000
2003
55ª
Recife
17.193
25.000
2004
56ª
Cuiabá
5.727
16.000
2005
57ª
Fortaleza
7.048
12.000
2006
58ª
Florianópolis
7.991
10.000
2007
59ª
Belém
7.424
16.000
2008
60ª
Campinas
6.284
12.000
2009
61ª
Manaus
6.215
10.000
2010
62ª
Natal
8.853
15.000
2011
63ª
Goiânia

Maiores Informações dos prazos, acessar: http://www.sbpcnet.org.br/saoluis/inscricao/
9.022
10.000
 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CBF e seus negócios em família

REPRODUÇÃO:

Pego carona no comentário de Juca Kfouri sobre a demissão de Marco Antônio Teixeira, tio de Ricardo Teixeira, da secretaria geral da CBF. E voltei a um dos meus livros de cabeceira – que horror! – o relatório da CPI da CPI da CBF Nike. De cabeceira porque, neste Brasil de desmandos diários com o dinheiro do esporte, esse documento é preciosidade histórica para consultas, mesmo na madrugada, como a que fiz e aqui apresento o resultado.
As informações, mesmo de 10 anos atrás, dão o perfil da “seriedade” do órgão que tem sob seus cuidados um patrimônio esportivo-cultural chamado “Seleção Brasileira”. Vamos lá.

Página 30 do relatório – assinado pelo então presidente da CPI, o hoje ministro do Esporte, Aldo Rebelo e pelo ex-deputado Silvio Torres, então na relatoria – diz o seguinte:
“A CPI consultou os balanços analíticos da CBF de 1995 a 2000. Dessa investigação conclui-se: a CBF vem sendo administrada de forma propositalmente caótica. Em que pese a arrecadação anual da entidade ter quadruplicado no período devido ao patrocínio empresarial, sua despesas mais que quadruplicaram e a CBF chegou a final de 2000 com um passivo circulante de R$ 55 milhões. Técnicos do Conselho Federal de Contabilidade avaliamos que, se fosse uma empresa, a CBF estaria insolvente no final do exercício de 2000.”
Reproduzi esta conclusão da CPI para explicar, com fatos reais, o que escrevi ontem: “Quanto mais desordem na gestão do dinheiro público do esporte melhor. “Algo do tipo, o dia que organizar estraga…”
É oportuno lembrar que o Relatório da CPI da CBF Nike foi feita com base em documentos oficiais, pois houve quebra de sigilos fiscais e bancário da entidade.

Remuneração
“A remuneração da diretoria da CBF, que passou a ser paga a partir de 1998, deu saltos espetaculares. Ricardo Teixeira recebeu R$ 126 mil em 1998 e R$ 418 mil em 2000 … “
“Mais notável é a situação de seu tio – de Ricardo Teixeira – Marco Antônio Teixeira, secretário geral da entidade, que recebeu R$ 387 mil em 1998 e R$ 507 mil em 2000. Com vínculo empregatício estabelecido a partir de julho de 1999, o salário mensal de Marco Antônio é de R$ 37 mil” – isso em 2000!
Conforme tabela publicada no relatório da CPI, os ganhos de Marco Antônio Teixeira em 2000 foram de R$507 mil,no cargo de secretário geral. Isto é, superior ao recebido por Ricardo Teixeira, presidente, R$ 418,3 mil.
Ou seja, o sobrinho valorizou o trabalho do tio e, agora, o demite. Por justa causa ou não, imagine o valor da rescisão!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

País olímpico, Brasil ainda convive com a ditadura dos cartolas

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O companheiro Gustavo Franceschini, do UOL Esporte, revela que Carlos Arhur Nuzman ficará à frente do Comitê Olímpico Brasileiro até 2016. Serão 21 anos de poder, cinco ciclos olímpicos.
Se nesse tempo tivemos o orgulho de ver gerações de atletas se renovando, o mesmo não ocorre com os gestores do esporte. Na maioria são os mesmos nomes e as mesmas caras do século passado, o que significa ação repetida, desmotivadora, cansativa e, por isso, ultrapassada.
É a segunda vez que Nuzman barra movimentos da oposição, demonstrando a força que o poder do COB lhe confere. E, mais uma vez, a decisão é tomada de forma escondida, revelando, quem sabe, a vergonha do ato.
A notícia torna-se pública justamente no dia em que outro cartola, Jorge Rosa, tentará mudar o estatuto da CBT para – só assim – conseguir um terceiro mandato, ilegal pelo texto das regras atuais.
Lembro que Jorge entrou no olimpismo justamente com discurso de mudanças, de renovações. Mas é reprovado vergonhosamente, pois, mesmo com pouco tempo de convivência, já se comporta como um profissional da ditadura dos cartolas
E porque isso ocorre?
No caso de Jorge Rosa, com o apoio dos presidentes de federações, com voto casuístico, como no regime militar, de tristes lembranças. A dúvida é: a que custo esses senhores sacodem a cabeça afirmativamente para tornar legal a burla, a farsa?
Já em nível superior, com Carlos Nuzman, são os presidentes das confederações, ungidos pelos cartolas menores – das federações – que se curvam ao poder maior.
Assim, as decisões de interesses ocasionais e antidemocráticos ocorrem em cascata invertida, de baixo para cima, e demonstram como é frágil e suspeita a estrutura que comanda o esporte olímpico nacional.
Lamentavelmente, tudo isso é um péssimo exemplo de educação aos jovens – e não foi esse o espírito que originou a histórica competição olímpica, nem é esse o princípio que norteia o desgastado binômio “esporte e educação”.
Pior: estamos falando de uma instituição milenar que, como tempo, ganhou forma e ordenamento. Mais: no caso brasileiro, ganhou sustentação financeira milionária, pois a economia do esporte de rendimento é totalmente estatizada nas mãos de instituições privadas.
Por tudo isso, vejo como afronta à democracia e aos direitos gerais o comportamento ditatorial dos cartolas. Agem sustentados pelo dinheiro público, mas excluem do debate maior o ente principal da prática esportiva – o atleta. Sem ele, o competidor, não há esporte, campeonato, olimpíada, nada! No entanto, a evolução democrática encontra barreiras na gestão do esporte, sem oportunidade de muitos se manifestarem, opinar, sugerir, votar neste ou naquele dirigente.
Além da vergonha que isso representa constata-se a agressão ao espírito constitucional da convivência em sociedade. Neste aspecto o esporte olímpico brasileiro é um exemplo triste e negativo.
E toda essa perpetuação casuística – que demonstra a tal desordem na gestão do esporte e, daí, as suspeitas de corrupção que surgem com freqüência – ocorre com outra afronta: acomodam-se sucessivamente nos cargos como se não houvesse, além dos escaldados cartolas, outro ser capacitado para substituí-lo.
São os sábios exclusivos e, assim, tornam-se intocáveis, “imexíveis”. Agem como os soberanos, se sustentando no poder com a vergonhosa concordância de poucos, inofensivos de ocasião, incapazes de se opor à agressão que se perpetua à ordem normal da renovação dos poderes da sociedade.
Não é demais lembrar que do alto de sua popularidade, o então presidente Lula da Silva proibiu que se falasse em mudança constitucional para beneficiá-lo, permitindo disputar uma terceira eleição. Resignado, cumpriu seus dois mandatos e se retirou do Palácio.
Lula deu exemplo de dignidade, maturidade política e respeito às leis, ao povo, aos adversários, justamente o que falta ao esporte nacional. Nele, a elite, sustentada pelo dinheiro público, ignora e afronta a ordem natural do Estado de direito e governa com portas fechadas e casuísmos, como no triste período da ditadura.

Por José Cruz