segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

BLOG DO GEPEFEL ALCANÇA A MARCA DOS 10.000 ACESSOS

O Blog do GEPEFEL completará um ano de existência em março de 2012, e neste mês comemora a marca dos 10.000 acessos por parte de estudantes, professores e pesquisadores da Educação Física, com interesse principalmente na área das políticas públicas de esporte e lazer e lazer e meio ambiente.

Pensando na ampliação de seus seguidores e na divulgação das notícias e serviços utilizados, seguem dois tutoriais: um explicando como seguir o blog e o outro, como receber as notícias no próprio email.

É só ler e seguir as instruções!!

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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A COPA DO MUNDO JÁ TEM SEUS PERDEDORES

Na Folha de S.Paulo – 23/12/2011
Por Guilherme Boulos

A grande euforia pela escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 não tardou muito em gerar desilusão. Logo apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.
E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento será financiado com dinheiro público, segundo estudo do TCU. Dinheiro que faz falta no SUS, na educação e na habitação popular. Por sua vez, a Fifa impõe contratos milionários com patrocinadores privados e o presidente do todo-poderoso Comitê Local é Ricardo Teixeira. A transparência dos gastos está em xeque.
Esses temas têm sido amplamente tratados pela grande imprensa. Mas há outra dimensão do problema -não menos grave- que é pouco abordada. Trata-se das consequências excludentes dos investimentos da Copa nas 12 cidades que a abrigarão. Três anos antes de a bola rolar, esta Copa já definiu os perdedores. E serão muitos, centenas de milhares de pessoas afetadas direta ou indiretamente pelas obras.
Somente com despejos e remoções forçadas já há uma estimativa inicial de 70 mil famílias afetadas, segundo dossiê de março deste ano produzido pela relatora da ONU e urbanista Raquel Rolnik. Os números podem chegar a ser bem maiores. Talvez por isso sejam tratados pelo governo como caixa-preta.
A desinformação facilita que qualquer processo de remoção receba o carimbo da Copa e, deste modo, seja conduzido em regime de urgência, passando por cima dos direitos mais elementares.
Na maioria dos casos, não há qualquer alternativa para as famílias despejadas. Quando há, são jogadas em conjuntos habitacionais de regiões mais periféricas, com infraestrutura precária e ausência de serviços públicos.
Quem sorri de orelha a orelha é o capital imobiliário. As grandes empreiteiras e os especuladores de terra urbana se impõem como os grandes vitoriosos. Levantamento do Creci-SP mostra que em 2010 houve uma valorização de até 187% de imóveis usados em São Paulo; a rentabilidade do investimento imobiliário superou a maior parte das aplicações financeiras. Para esse segmento a Copa é um grande negócio.
O exemplo de Itaquera não deixa dúvidas: os preços de compra e aluguel dos imóveis dobraram após o anúncio da construção do estádio. A conta costuma ficar para os mais pobres. Isso quando não se paga com a liberdade ou com a vida.
Na África do Sul, durante a Copa de 2010, foi criada, por exigência da Fifa, uma legislação de exceção, com tribunais sumários para julgar e condenar qualquer transgressão. O Pan do Rio foi precedido de um massacre no Morro do Alemão, com 19 mortos pela polícia. Despejos arbitrários, manter os favelados na favela e repressão exemplar aos transgressores, eis a receita para os megaeventos. Receita essa que mistura perversamente lucros exorbitantes, gastos públicos escusos e exclusão social.
GUILHERME BOULOS é membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), militante da Frente de Resistência Urbana e da CSP Conlutas.

O balanço oficial mas ilusório do Ministério do Esporte

REPRODUÇÃO



Continuo folheando o relatório do Ministério do Esporte – 2003 até 2010. É uma espécie de balanço governamental, que justifica a criação do órgão, a partir do primeiro mandato do então presidente Lula da Silva.
Outro dia comentei sobre a Timemania, com dados do relatório. Hoje, vou me deter num item importante: “Programas, investimentos e atendimentos”. Sigo a ordem de apresentação do próprio Ministério do Esporte, lembrando que os valores são referentes aos últimos  oito anos. 
Segundo Tempo – R$ 850 milhões.  4,3 milhões de atendimentos a crianças adolescentes e jovens, de 2003 a 2010.
É o mais polêmico programa do ME, com muitos convênios sob investigação policial e dos órgãos de fiscalização do governo, TCU e CGU.

Esporte e Lazer da Cidade – R$152,5 milhões. 10,6 milhões de atendimentos. 18.995 postos de trabalhos e 22.898 agentes sociais e gestores capacitados.

Pintando a Cidadania – R$ 75,7 milhões. Absorve mão-de-obra de três mil pessoas de comunidades carentes, em 35 unidades de produção de materiais esportivos. Até 2010 foram produzidos 4,9 milhões de itens.

Pintando a Liberdade – Geração de empregos direto para 13 mil internos do sistema prisional, em 73 unidades de produção  de material esportivo. Até 2010, foram produzidos 2,9 milhões de itens (bolas, redes, sacolas, agasalhos etc)

Bolsa Atleta – R$ 212,2 milhões – 13.178 atletas bolsistas entre 2005 e 2009.

Fiz vários comentários sobre este programa, inclusive denunciando atletas que pararam de competir, mas que continuavam recebendo a Bolsa. O programa passou por mudanças. Uma recente atualização, inclusive, revela, em princípio, prejuízos para os atletas. Estou lendo sobre o assunto para comenta, oportunamente.

Núcleo de Esporte de Base – R$ 12,1 milhões – Desde 2004, 110 núcleos implantados.
Seria interessante o ME revelar onde estão esses núcleos, quantos atletas efetivamente revelaram, quem cuida de suas carreiras etc. Os números são vagos e por isso suspeitos.

Rede CENESP – R$ 3,6 milhões – Desde 2003, houve mais de mil produções científicas publicadas.

Estou levantando dados oficiais para demonstrar que o ME abandou a rede CENESP. Um desperdício de dinheiro em oito anos, sem continuidade de projetos e frustrando dezenas de profissionais.

Talento esportivo – R$ 1,2 milhão -  Desde 2004, 150 mil atletas entre 7 e 14 anos avaliados e cerca de sete mil talentos descobertos.

Mais uma informação altamente suspeita, pois não se sabe onde treinam esses talentos, quem os orienta, quem os sustenta etc. Com sete mil talentos descobertos temos aí, no mínimo, 20 equipes para os Jogos Olímpicos de 2016. Duvido! R$ 1,2 milhão em sete anos é miséria para treinar “sete mil talentos”. O ex-ministro do Esporte, Orlando Silva, deveria ter vergonha de assinar um relatório com informações falsas.

Centros Regionais de Treinamento – R$ 11,3 milhões – de 2004 a 2010, cinco centros foram implantados, onde mais de mil atletas foram atendidos por ano.

É outra informação suspeita. Recentemente a Confederação de Atletismo anunciou que fecharia três centros de treinamento porque o ME não repassava os recursos prometidos. Portanto, é informação para rechear o relatório e iludir leitores.

Vou levantar os gastos desses itens no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI) para confrontar com os dados reais com os publicado. Com certeza haverá surpresas.

POR JOSÉ CRUZ